[Marcelo Novaes]
Se a fruta escapou da mão
- ou não -, aqui o poema
escoou como
água. Liso.
Saciando a
sede dos
olhos.
[De Tântalo ou Narciso].
gitana
meus passos não te serão
leves
nem meus saltos
nem mesmo quando levito,
ou ergo as mãos, danço e canto
sem acompanhamento
pelo ângulo certo, porém,
verás meu coração nos abetos,
os pássaros rasgarem azuis
e amanhecerem os meus beijos
vermelhos
marcadores:
* diálogos poéticos
sizígia
o céu insiste
nessas cores de maçã
mordida
depois me anoitece
e me despe das luas
em três de minhas
fases
do meu olhar tardio
cheias e vazantes
se derramam
como preces
novaliana
para Marcelo Novaes
a cor do verso:
verso e cor
iluminam meus
olhos
escolhas brancas
[versos brancos]
respiram claridade
[toda cor em verso]
Verdadeamor
[coragem de
bem tingir o
verbo]
* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2813
a cor do verso:
verso e cor
iluminam meus
olhos
escolhas brancas
[versos brancos]
respiram claridade
[toda cor em verso]
Verdadeamor
[coragem de
bem tingir o
verbo]
* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2813
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Balaio Porreta 1986,
Marcelo Novaes,
Moacy Cirne
renascença
sob a chuva meus olhos
revelam a luz nas cores
das horas lúcidas
reflexos de deuses estrondosos
em minhas memórias
livres de marquises
meus pés dissipam o asfalto
e a nostalgia ressurge
ríspida e imprevista
em incessantes fluxos
na paisagem úmida
improvisada
a vida vaza nas esquinas
de um cruzamento abstrato
constantemente renovado
pelas águas que correm
junto ao meio fio da lâmina
das minhas palavras
e de nossos atos
e nesse ar concreto
onde me encontro
tudo sufoca
tudo é ralo
há dramas contidos no meu corpo
derramado e exposto
na calçada
Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2802.
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Balaio Porreta 1986,
Moacy Cirne
cálice
Para Adriana Sunyata
da nossa entrega cotidiana
àqueles deuses embriagados
e aos casulos de borboletas
às folhas que caíram
e aos raios de luz
na penumbra dos sonhos
às nossas intenções aladas
e a tudo que era aveludado
vermelho e sanguíneo
como mosto
ou como vinho
só me resta um vazio
num cálice cheio
de poesias caladas
* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2825
da nossa entrega cotidiana
àqueles deuses embriagados
e aos casulos de borboletas
às folhas que caíram
e aos raios de luz
na penumbra dos sonhos
às nossas intenções aladas
e a tudo que era aveludado
vermelho e sanguíneo
como mosto
ou como vinho
só me resta um vazio
num cálice cheio
de poesias caladas
* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2825
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Balaio Porreta 1986,
metalinguagem,
Moacy Cirne
ânima
por uma brecha do meu sono
você sopra toda essa tinta
pra pintar na minha cara
insetos
átomos
cantos e contos
dos seus quintais
incalculáveis
tudo cabe na tela absoluta
e branca
tudo cabe
e outros tons insurgem
penso em você
parcialmente um
em todos os fragmentos reunidos
- unânime
e escrevo até o último segmento
cada passo dessa incerta dança
* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2772
gestos
os poemas que ficaram
nos meus olhos
ainda ardem
esfrego a poesia
com a palavra
choro
nos meus olhos
ainda ardem
esfrego a poesia
com a palavra
choro
* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2509 e nº 2758
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Balaio Porreta 1986,
Moacy Cirne
imanente
desprendido de chãos e de céus
esse louco que nos habita
encara todos os precipícios
e remove-nos as pontes
que levariam a anfitriãs certezas
e em saltos incalculados
nesses vãos entre nadas e nós
hospeda em nossos abismos
a nudez com que nos entrega
a toda sorte de perigos
vertigem
a ausência da rosa na boca
o silêncio alarmado
de quem sabe espinhos
e idas e beijos
e quases
e esses vermelhos
que te inflamam
toda
de abismos
e quedas
* Publicado no Balaio Porreta 1986 nº 2729
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Moacy Cirne
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